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Dicas de Leitura Alice no país das Maravilhas
A frase é famosa: “Quando você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”.
Mas essa fala, largamente utilizada no mundo corporativo, presente em palestras motivacionais e processos seletivos, não dá conta da grandiosidade do texto do qual foi extraída, origem que, aliás, muitos simplesmente desconhecem. Pronunciado por um coelho, que percorre a história sempre atrasado para chegar a um lugar que não sabemos aonde é, o discurso mostra o quanto “Alice no País das Maravilhas” é mais que um livro infantil. Trata-se, isso sim, de uma obra-prima cheia de surpresas e rica em insights que valem para a vida toda. Desde que foi publicada, a história da menina que entra pela toca de um coelho e descobre um mundo cheio de leis absurdas, atraiu o olhar de filósofos, psicólogos e estudiosos da literatura interessados em descobrir sentidos ocultos por trás de uma rainha que condena as pessoas à morte sem nunca executá-las e de animais que convivem em condição de igualdade com humanos. Quem ainda não se deu o prazer de ler as aventuras de Alice pode fazer a estréia nesse mundo cheio de humor e nonsense em grande estilo. O clássico de Lewis Carrol acaba de ganhar uma edição primorosa, com tradução do historiador Nicolau Sevcenko e ilustrações de tirar o fôlego, feitas por Luiz Zerbini. Se você ainda não está convencido sobre o que está perdendo caso não leia “Alice no País das Maravilhas”, talvez devesse saber que certa vez Lewis Carrol escreveu uma carta para uma criança na qual perguntava: “Você costuma brincar de vez em quando? Ou a idéia que você faz da vida é café da manhã, fazer lições, almoço, fazer lições e assim por diante? Porque essa seria uma forma muito organizada de viver, mas seria tão interessante quanto ser uma máquina de costura ou um moedor de café”. Então eu pergunto: Você costuma brincar de ler livros infantis de vez em quando? Ou a idéia que você faz da literatura é apenas uma sucessão de best sellers? Porque essa seria uma forma muito comum de participar do mundo da arte literária, tão interessante quanto ser uma máquina de costura ou um moedor de café. Portanto, se você não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve. Mas se quiser crescer como ser humano, não perca tempo. Pois como bem disse a escritora Ana Maria Machado que assina a contracapa do livro, “Alice é uma obra infinita” e esta edição, traduzida por Nicolau Sevcenko e ilustrada por Luiz Zerbini, é um deslumbramento para os olhos e para a alma. Ficha Técnica Em: 1/2/2010 :: MAIS RECENTES
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